Um pouco da sabedoria da alma de um entusiasta da tecnologia do futuro na China, um pouco do rigor do caráter de um nobre germânico, atravessam misteriosamente o tempo e o espaço para se fundirem no c
O calor abafado do verão varria a cidade, e, em um apartamento alugado nos subúrbios, uma televisão transmitia o noticiário na sala de estar. Parecia que interrompiam o programa para falar de um fenômeno astronômico raro: o alinhamento de nove estrelas. O som penetrava no pequeno quarto ao lado da sala, mas quem estava lá dentro não dava a menor atenção.
Xue Zheng segurava uma chave de fenda, os olhos semicerrados, concentrado nos componentes que tinha em mãos. Um cigarro meio consumido pendia de seus lábios, e as cinzas caíam como flocos de neve, mas ele não se importava; era um momento crucial. Após refletir por um instante, franziu levemente o cenho e largou a ferramenta.
— Ah, agora sim, estou sentindo — murmurou Xue Zheng, com um sorriso malévolo no rosto pálido, esfregando as mãos com malícia. Observava a pequena placa de circuito integrado como se contemplasse uma bela mulher despida.
De repente, aquele sujeito de aparência reclusa agarrou novamente a chave de fenda. As mãos se moviam ágeis, quase como as de um cirurgião experiente, manipulando a placa. Instantes depois, assentiu satisfeito e parou.
— Ei, Xue, e aí? Deu certo? Dá pra fazer igual? — perguntou uma voz vinda da porta fechada atrás dele. Um rosto redondo e rechonchudo espreitou pela fresta, hesitou ao ver o cômodo abarrotado de peças, e acabou gritando do corredor.
— Pronto, Gordinho, dá uma olhada — respondeu Xue Zheng, sem se virar, jogando a bituca do cigarro num copo sujo sobre a mesa e cruzando as pernas, balançando-as alegremente.
— Sabia que você ia conseguir